Patrimônio Cultural Subaquático: ciência, história e tecnologia unidas pela preservação
- DeMinas Comunicação
- 27 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de set. de 2025
Quando pensamos em patrimônio cultural, é comum virem à mente museus, construções históricas ou manifestações artísticas. Mas há um universo igualmente rico e pouco explorado: o patrimônio cultural subaquático. É nesse território, escondido sob as águas da nossa costa, que se concentra uma parte valiosa da memória coletiva brasileira.
Esse foi o tema da pesquisa “Documentação histórica e arqueológica sobre naufrágios e artefatos arqueológicos subaquáticos, na Região dos Lagos (RJ)”, da qual Lucimar Cunha e Eduardo Krempser, sócios da QuipoTech, participaram como coautores.
A pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Projeto Carta Náutica Arqueológica Brasileira – Registro Blockchain e criação de NFT de artefatos e ativos arqueológicos subaquáticos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), edital 42/2021. Trata-se de um trabalho que une história, arqueologia e tecnologia em favor da preservação de um patrimônio que, muitas vezes, permanece invisível aos olhos da sociedade.

Um mergulho na história submersa
A Região dos Lagos (RJ) é conhecida não apenas por suas praias paradisíacas, mas também por sua relevância histórica. Ao longo dos séculos, esse território foi cenário de intensas atividades marítimas, incluindo comércio, exploração de recursos e conflitos navais. Como consequência, inúmeros naufrágios e vestígios arqueológicos repousam no fundo do mar, compondo verdadeiras cápsulas do tempo.
O objetivo central da pesquisa foi identificar, mapear e caracterizar esse patrimônio, oferecendo informações que contribuam para sua preservação e também para sua valorização social e cultural. Os naufrágios e artefatos encontrados não são apenas objetos inanimados: eles carregam histórias de pessoas, práticas comerciais, rotas de navegação e até mesmo episódios de colonização e resistência.
Ao documentar e analisar esses vestígios, os pesquisadores criam pontes entre passado e presente, permitindo que a sociedade conheça melhor sua própria trajetória.
Tecnologia a serviço da preservação
Um dos diferenciais desta pesquisa está no uso de tecnologia de ponta para proteção do patrimônio arqueológico. Por meio da Carta Náutica Arqueológica Brasileira, foi possível organizar dados em uma plataforma digital acessível a pesquisadores, gestores, autoridades e à própria comunidade local.
A inovação não para por aí: o projeto também explora o uso de blockchain e NFTs para registrar informações sobre os sítios e artefatos de forma imutável, transparente e segura. Com isso, cria-se uma camada extra de autenticidade e proteção contra práticas ilegais, como a pilhagem de sítios arqueológicos. Essa aplicação tecnológica não apenas preserva dados, mas também abre caminho para novas formas de valorização desse patrimônio.
Entre ciência e sociedade
Embora a pesquisa tenha uma base técnica sólida, seu impacto vai além da academia. O trabalho dialoga diretamente com a comunidade local e com o setor turístico, reforçando a ideia de que o patrimônio subaquático não é apenas objeto de estudo, mas também bem coletivo.
Quando explorados com ética e sustentabilidade, os naufrágios e artefatos podem se tornar atrativos turísticos e educativos, enriquecendo a experiência de quem visita a região e fortalecendo a identidade cultural local. Ao mesmo tempo, despertam consciência sobre a importância de preservar os ecossistemas marinhos e de valorizar a memória que repousa sob as águas.
A contribuição dos coautores
A participação de Lucimar Cunha e Eduardo Krempser demonstra um dos propósitos da QuipoTech em atuar na interseção entre ciência, tecnologia e impacto social. Ambos contribuíram para ampliar o olhar sobre como a pesquisa acadêmica pode ser traduzida em soluções práticas e inovadoras, capazes de proteger e difundir o patrimônio cultural.
O trabalho é fruto de um esforço coletivo, no qual diferentes atores se unem em prol de uma causa comum: garantir que a história registrada nos fundos marinhos não se perca, mas sim que seja preservada e compartilhada com as futuras gerações.
Outro aspecto central da pesquisa é seu caráter educativo. Ao trazer à tona informações sobre naufrágios e artefatos, o projeto busca estimular uma relação mais consciente da sociedade com o patrimônio cultural e ambiental.
Em tempos em que o turismo predatório e a ação de caçadores de relíquias ainda representam ameaças reais, iniciativas como essa são fundamentais para promover práticas responsáveis e incentivar o engajamento da população na preservação.
Um marco para a preservação cultural
O artigo publicado apresenta resultados parciais, mas já demonstra a força do projeto como referência para futuras iniciativas em todo o litoral brasileiro. O mapeamento e a caracterização de sítios submersos podem transformar a forma como olhamos para o mar: não apenas como espaço natural, mas também como território histórico e cultural.
Ao unir documentação arqueológica, pesquisa histórica e inovação tecnológica, a pesquisa abre novos caminhos para a valorização do patrimônio subaquático e mostra como ciência e tecnologia podem se complementar na defesa da memória coletiva.
Acesse o site da Fundação Paranã-buc e leia o artigo na íntegra:
Pesquisa elaborada com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) - Edital 42/2021, processo: 273902.



